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Se Geraldo Júnior é bom para ser vice, por que é ruim para aparecer?

Geraldo Júnior conseguiu uma proeza estranha: ser vice-governador, candidato a vice-governador e, ao mesmo tempo, quase não existir na campanha que tenta reelegê-lo.

Ele está na chapa, participa de atos e segue ocupando institucionalmente o lugar de vice. Mas quando a campanha escolhe quem vai para a televisão, para as inserções e para as peças de rede, Geraldo quase some.

Campanha faz conta.

E, neste ano, a conta de Jerônimo é ainda mais apertada. No horário eleitoral para governador, a chapa tem 3 minutos e 30 segundos por programa. ACM Neto, principal adversário, tem 4 minutos e 57 segundos. São quase um minuto e meio de diferença em cada bloco.

Esse tempo não é escolhido pelos candidatos. A divisão segue as regras da Justiça Eleitoral: 10% são distribuídos igualmente e 90% levam em consideração a representação dos partidos na Câmara dos Deputados.

Mas uma coisa é o tempo que cada chapa recebe. Outra é decidir o que fazer com ele. E é aí que a ausência de Geraldo chama atenção.

Quando se tem menos tempo que o principal adversário, cada segundo vale ainda mais. Quem aparece, quem fala, quem empresta prestígio e quem fica fora do enquadramento passa longe de ser uma escolha aleatória.

Lula aparece, Rui Costa aparece, Jaques Wagner aparece, Jerônimo, obviamente, aparece, o vice, não. E Geraldo não é um aliado periférico. Não é alguém que está apenas apoiando a chapa. Ele é o atual vice-governador e quer continuar no cargo por mais quatro anos.

Daí vem a pergunta que a própria campanha acaba provocando: se Geraldo Júnior é bom para ser vice, por que é ruim para aparecer?

A eleição de 2024 ajuda a entender o cenário.

Na disputa pela Prefeitura de Salvador, Geraldo terminou em terceiro lugar, com 10,33% dos votos. Bruno Reis venceu no primeiro turno e Kleber Rosa também ficou à frente dele.

Perder uma eleição não tira ninguém da política. Mas resultado pesa. Principalmente quando começa a discussão sobre quem agrega voto e quem não agrega. Depois disso, Geraldo também passou por desgastes dentro do próprio grupo.
Um dos episódios mais delicados envolveu uma mensagem com críticas a Rui Costa que saiu do telefone dele e circulou entre lideranças políticas. Geraldo afirmou que o envio foi acidental.

A história passou, o desconforto, nem tanto.

A definição da vaga de vice também demorou. O nome de Geraldo foi questionado, outras possibilidades circularam e a permanência dele só foi confirmada depois de muita negociação. No fim, ele ficou. Mas ficou na chapa, não necessariamente na campanha.

Tem outro ponto nessa história.

Matheus Ferreira, filho de Geraldo, disputa a reeleição para deputado estadual. E Geraldo também tem esse jogo para cuidar. Se Jerônimo vencer, ele continua vice-governador. Se a chapa perder, uma eventual vitória do filho mantém a família com mandato e espaço político.

Na política, ninguém cuida de um tabuleiro só.

Geraldo também não transformou o pouco espaço numa crise pública. Não há guerra aberta pela televisão, nem disputa explícita para aparecer mais. Pode ser desconfortável. Mas pode funcionar para os dois lados.

A campanha usa seus segundos com quem considera mais competitivo, Geraldo cuida do espaço que ainda tem. Só que sobra uma contradição difícil de esconder: O eleitor está sendo chamado a votar numa chapa em que um dos dois nomes quase não aparece para pedir o próprio voto.

E, quando o candidato tem apenas 3 minutos e 30 segundos para se apresentar e decide usar esse tempo com todo mundo, menos com o próprio vice, o silêncio deixa de ser detalhe.

Na propaganda eleitoral, ausência também comunica. A de Geraldo Júnior, principalmente.

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