Um caso registrado em São Paulo segue cercado de questionamentos. A Polícia Civil ainda não teve acesso às imagens capturadas pelas câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na morte de um jovem de 20 anos, atingido por pelo menos 27 disparos.
A linha de investigação e a versão da PM:
De acordo com a Polícia Militar, as gravações mostrariam o jovem avançando contra os agentes com um aparelho celular apontado na direção deles, o que teria levado ao revide. Com base nisso, a corporação analisa a hipótese de que o rapaz tenha provocado a própria morte — fenômeno conhecido internacionalmente como “suicídio por policial” (suicide by cop).
A crítica dos especialistas:
Para o sociólogo e especialista em segurança pública Rafael Alcadipani, a quantidade massiva de tiros disparados contra a vítima é “desproporcional” e acende um alerta grave sobre os protocolos da corporação. Para ele, o episódio corrói a confiança da sociedade na polícia:
“São casos que corroem a confiabilidade das pessoas em chamar a polícia em situações como essa. Precisa haver uma resposta para a sociedade, uma análise detalhada… Tem que ter uma investigação profunda, que mude os protocolos e responsabilize quem tiver que ser responsabilizado”, defende.
Alcadipani ressalta que o foco principal de uma abordagem policial em ocorrências de crise deve ser sempre a desescalada da tensão e a preservação da vida, exigindo que a perícia avalie não apenas a conduta individual dos quatro policiais que atiraram, mas todo o treinamento e as diretrizes adotadas.
Embora a tese de suicide by cop seja documentada em outros países, o especialista reforça que a hipótese não pode ser tratada como verdade absoluta sem a análise técnica e minuciosa das imagens e das provas materiais.






